ALE GARATTONI

Mãe da Maria Helena, profissional de branding e apaixonada por moda e beleza! Meu blog é o espaço "hora do recreio" no qual divido dicas, inspirações, apostas no universo das it girls e minha vida primeira pessoa na maternidade.

To Grávida

A (im)paciência das mães (im)perfeitas

1 de março de 2016

Dias atrás compartilhei na minha página do Facebook (estou quase sempre por lá!) esse texto lindo e tocante que eu legendei apenas como: “Sobre maternidade, sororidade, humanidade….”. Porque, triste de dizer, mas ele é um sopro de esperança num mundo de tantos julgamentos como o da maternidade – por parte das não-mães, o que é até mais compreensível, mas também das próprias mães que esquecem de praticar a empatia e se lembrar de que nem todos os dias são fáceis e que seria muito mais bacana se a gente se apoiasse mais.

frase Aurea Gil

Uma amiga escreveu algumas vezes que sentia, sim, falta da pessoa que ela era antes da maternidade e, em pleno início de vida de mãe, temia jamais ter essa parte de si de volta. Porque é verdade que, antes de ter filhos, a gente se acostuma a definir nossos horários, nossas prioridades, nossos momentos de introspecção. Mas se há uma parte da maternidade que não podemos negar é a de que tudo, tudo fica imprevisível. Dá pra ter muita coisa de volta, sim. Mas não dá pra saber se o bebê vai dormir bem ou chorar de cólica madrugada adentro. Não dá pra saber se a criança vai se comportar direitinho ou dar um ataque de birra – um daqueles que quando a gente não é mãe revira os olhos ao ver e apenas pensa “filho meu jamais faria isso”. E não dá pra saber se você vai conseguir se dedicar àquele projeto com data apertada de trabalho ou se vai ter que dar um pouco mais de atenção à cria, mesmo que não seja sua maior vontade naquela hora. Nem se vai conseguir ter a inteligência emocional que esse duelo exige. E é aí, nesses momentos de privação de sono, de expectativa ou de auto-poder de priorizar e decidir por si, que a terrível falta de paciência te dá um nocaute.

Foi por isso que este texto do Facebook me levou às lágrimas. Foi por isso que tantas mães saíram abraçando seus filhos depois de ler. Foi por isso que a empatia desta desconhecida com uma mãe cansada e impaciente surpreendeu num terreno no qual o que costuma vencer é o julgamento, o olho virado, a reprovação. Eu, desde que coloquei MH no mundo, não consigo julgar mães. Simplesmente não consigo. Tenho minhas opiniões que servem da porta da minha casa pra dentro, tenho meus pontos de vista, tenho meus limites e minha forma de encarar a maternidade. Mas falho todos os dias. E me questiono em muitos deles. Não sou mais 100% dona de mim e isso me apavora. Como não se apavorar?

Ale e MH

Como saber o que é egoísmo e o que é uma necessidade (off-maternidade) quase física de uma mãe? Como diferenciar o que é “fazer pouco” do que o que é “fazer tudo o que está a seu alcance”? Como definir impaciência e auto-limite? E como ser super-mãe quando se tem tantas outras preocupações sérias – que também envolvem diretamente os seus pequenos –, como responsabilidades financeiras, saúde psicológica (respirar é preciso! para todos! mesmo para as mães!), falta de ter com quem desabafar sem ser julgada?

O mundo da maternidade é lindo, é mágico, é cor de rosa. Mas é claro que não é só isso. É claro que, ainda que viremos supermulheres com superpoderes (porque viramos!), temos nossas falhas, nossos momentos, nossas necessidades só nossas. Temos dias e dias, temos eventuais implicâncias com a Peppa, temos preguiça de montar Lego – nem só preguiça, às vezes é falta de tempo/vontade/jeito. E a grande verdade é que o mundo não está preparado para falar ou conviver com esse lado rosa-turvo que por vezes aparece.

Se perdoe. Seja carinhosa com você. Impeça de te fazerem sentir menos que a melhor mãe do mundo. Blinde-se contra os inevitáveis julgamentos. Se permita. Não se esqueça que você também está em outras batalhas {às vezes esse lance de maternidade é tão intenso que a gente até esquece que está em pleno turbilhão em outras áreas da vida}. Algumas batalhas só suas. E que elas também exigem seu combustível. Por fim, saiba que vale a música do Lulu Santos que diz “mas o seu amor me cura de uma loucura qualquer”. Porque passada a birra, a noite em claro ou a fase difícil, vem um abraço e um olhar que derretem qualquer coração!

Com carinho para todas as mães impacientes e perfeitas que me leem! E um beijo especial para minha amiga Cece que me abraça quando preciso! <3

MH

VOCÊ TAMBÉM VAI GOSTAR DE LER…

To Grávida

Por que eu sempre aceitei (e pedi) ajuda para ser mãe

16 de fevereiro de 2016

Vira e mexe surgem textos e polêmicas viralizadas acerca do universo da maternidade. Nem as que floreiam e romantizam nem as que colocam um peso que – para outros olhos – parece exagerado estão mentindo: em quase três anos como mãe eu aprendi que cada experiência é única e que os calos nunca apertam no mesmo lugar para todas as mulheres. Ter que fingir que achou uma fase complicadíssima para não parecer mentirosa ostensiva é tão besteira como ter que colocar lentes pink no que não foi molezinha. Eu, por exemplo, AMEI a gravidez e morro de saudade da minha barriga, ainda que a fase tenha me trazido 22 quilos extras que levaram um ano e meio para ir embora por completo. Mas não fale comigo sobre amamentação, porque taí meu ponto fraco. É isso, entende? O que é fácil pra uma é corriqueiro pra outra. E vice-versa. A única certeza que tenho é que não há certezas, não há padrões absolutos de nível de dificuldade e que não há apenas dois cenários, o da maternidade comercial de margarina e a maternidade sofrida pesada, quase arrependida. Tem uma estrada enorme aí no meio com muitas, muitas paradas e muitos cenários.

MAIS: Sobre o Que Chamam de Maternidade Ostentação

Dito isto, eu falo por mim. A maternidade foi/é fácil? NÃO, nem perto disso. Para uma filha única leonina super individualista {que ama dormir e detesta dar satisfações!}, com fortes tendências a impaciência, foi difícil passar a orbitar em torno de outro planeta que não meu próprio Sol. Especialmente porque, ao menos no meu caso, o amor avassalador – que justifica e explica toda essa doação – foi e segue se construindo com a convivência, com as descobertas. Vejam bem, já era mãe leoa desde o dia um, ok. Mas nada se compara ao amor que sinto hoje e, provavelmente, ao que vou sentir em dois, cinco, dez anos. Até porque, sim, nos primeiros meses estamos vivendo uma queda hormonal que merece observação e atenção. Nem apenas a depressão pós-parto existe e nem apenas o caso extremado que leva até a crimes é depressão pós-parto, há muito mito e preconceito acerca de tudo isso. Não há mulher que não tenha essa variação hormonal (porque é químico/físico, real) e pra cada uma o impacto será diferente.

ale e MH

Amor de mãe só aumenta, esse clichê me permito. Mas voltando: se não é fácil, também não posso dizer que, pra mim, é difícil além dos limites. Tem dias mais puxados, tem momentos de querer se trancar na despensa, tem horas que eu fujo desse plano espiritual com um fone de ouvido. Eu não sou nem nunca serei a Miss Paciência e não tenho o perfil de mãe popular da porta da escola. Mas me aceito. E peço/aceito ajuda. Taí o que considero meu trunfo, meu curinga, meu álibi para manter minha sanidade.

MAIS: Charlotte, Eu e Você Somos Ótimas Mães

Não tive babá até MH chegar perto dos dois anos. Mas, mesmo assim, nunca me vi como auto-suficiente. O pai sempre participou ativamente de todas as funções. Eu não tenho nenhuma culpa de contar com as avós para dormir até mais tarde no fim de semana. Isso não é uma regra nem um padrão do certo, é o que funciona PRA MIM. É a mãe que eu posso ser. O peso em geral está muito mais nas expectativas e nas dificuldades de atender o que se julga o certo (em detrimento das suas próprias convicções e possibilidades) do que no dia a dia em si. Tenho certeza que muita gente até na família deve me achar aquém da média. Mas eu escolho ser julgada em vez de sacrificar minha sanidade mental. Porque no fim é ela – e não o número de sacrifícios – que vai fazer de mim a melhor mãe para minha MH…

MAIS: A Melhor Mãe Que Eu Posso Ser

VOCÊ TAMBÉM VAI GOSTAR DE LER…

To Grávida

Cinco coisas que ensinarei a minha filha…

25 de novembro de 2015

Já tinha escrito um post sobre o que quero pra minha filha, que não vai muito além dos clichês básicos que toda mãe pensa logo que coloca um bebê no mundo. Mas dia desses comecei a pensar em mais valores muito, muito importantes – nem todos ensinados na infância, nem sempre aprendidos fora da situação em que se fazem necessários. Não sei ao certo o quanto pode se passar isso na teoria fora da prática, mas quero tentar mostrar tudo isso antes que ela precise vir a sofrer pela falta de qualquer uma destas coisas…

MH coração

RESILIÊNCIA
Acredito ter aprendido de forma inconsciente, por observação. E como faz diferença… É ela que nos permite entender e aceitar que tudo muda, que há altos e baixos, que planos desvirtuam. E nos faz entender tudo isso como crescimento e aprendizado, jamais como problema.

EXERCÍCIO: NÃO JULGAR
O pai muito sábio de uma amiga sempre dizia:  “toda história tem três lados – a versão da primeira pessoa, a versão da segunda pessoa e a versão verdadeira”. E é exatamente por isso que eu acredito no (difícil) exercício diário de não julgar. Ao menos não antes de conhecer no mínimo dois lados. A gente se surpreende – e/ou se decepciona – todos os dias quando parte daí. Mas certamente se torna uma pessoa mais justa e com menos telhado de vidro.

PACIÊNCIA, (QUASE) SEMPRE
Calma, tenha calma. Lembro que ia morrer de amor aos 15, de tédio aos 24 e de desesperança aos 29. E é essa falsa impressão apressada que leva a decisões nem sempre acertadas. Não sei se existem pesquisas oficiais que comprovem, mas a impulsividade leva a 90% dos erros!

IMPULSIVIDADE, POR QUE NÃO?
Por outro lado…um pouco de impulsividade também não mata – quando muito, fortalece. Quem pensa e planeja demais perde o melhor da vida, que costuma vir no susto sem avisar.

AUTO-ESTIMA, SEU MELHOR VALOR
Dias atrás, conversando com um amigo e questionando certos porquês, concluímos que tudo, quase tudo parte da auto-estima. Ela parte da base de amor que se recebe e também do fortalecimento da personalidade de maneira saudável, sem exageros. Porque o que vem do mundo – especialmente o que a gente se predispõe a aceitar – e como vamos lidar com isso dependem desse valor tão subliminar.

Por fim, que ela entenda cedo que nem sempre podemos ter tudo nem mesmo todos que queremos. E isso não tem a ver com dinheiro nem mesmo com vontade recíproca. Às vezes é preciso abrir mão, às vezes é preciso entender que a vida nos tira o outro (supostamente) antes da hora, às vezes é preciso aceitar que nem tudo que se deseja é o certo quando se pensa no cenário. E aí voltamos lá pra cima, pro papo tão importante da resiliência!

VOCÊ TAMBÉM VAI GOSTAR DE LER…