ALE GARATTONI

Mãe da Maria Helena, profissional de branding e apaixonada por moda e beleza! Meu blog é o espaço "hora do recreio" no qual divido dicas, inspirações, apostas no universo das it girls e minha vida primeira pessoa na maternidade.

To Grávida

Dez fatos que aprendi sobre o processo de desfralde

19 de abril de 2016

Quando MH ainda era bebê e as fraldas não tinham nem perspectiva de sair de cena por aqui, tive uma reunião com uma diretora de pré-escola que, entre vários outros ensinamentos úteis, me disse que a hora certa para o desfralde era fundamental no processo. Nem antes nem depois. Nem “na mesma hora de toda a turminha” nem quando atingir determinada idade no calendário. Cada caso, um caso… E que respeitar esse tempo único de cada criança era não apenas o segredo do sucesso para o processo, mas uma maneira de evitar até alguns problemas futuros. Guardei essa informação pra mim. Junto com um tanto de outras crenças que me faziam ter certeza de que tirar a fralda de uma criança até então condicionada a ela seria das coisas mais difíceis e complexas da maternidade, com direito a muito tempo de vazamentos e acidentes!

MH dois anos
MH aos recém-completados dois anos, no processo do desfralde diurno em 2015

1) Fique atenta ao seu filho; ele realmente sinaliza quando a fralda precisa ser abandonada! A hora certa faz toda a diferença, não se apresse.

Perto de completar dois anos, MH começou a se incomodar com a fralda e a despertar o desejo de “usar calcinha de mocinha”. Era hora de começar o desfralde diurno…

2) Converse e explique tintim por tintim para o pequeno sobre como vai funcionar. Que ele deve pedir para ir ao banheiro quando sentir vontade. No começo, não confie 100% na capacidade deste aviso e lembre-se de levá-lo até a privada de hora em hora.

3) Compre um adaptador sanitário que deixe a privada apropriada para o tamanho da criança. Evita a insegurança inicial de usar e é mais vida real do que o tal piniquinho – que não dá pra ser levado na bolsa, por isso não é um costume ideal de se introduzir!

Surpreendentemente esta etapa inicial entrou na programação de MH muito rápido. Foram poucas ocorrências de vazamento e logo ela estava adaptada a esta nova rotina, de uma forma que me faz ter certeza de que aprendemos novos hábitos rapidamente mesmo.

4) Comemore com a criança os avanços, os avisos na hora certa, a evolução de cada passinho do processo; jamais lamente os acidentes, diga apenas que avise na próxima vez e não coloque lente de aumento no negativo!

5) Uma vez retirada a fralda, não volte atrás ou confundirá a cabecinha da criança. Tirou, tirou!

MH seguia usando a fralda apenas na hora de dormir e, para essa, eu ainda não tinha previsão de retirada. Nem pressa! Por ter certeza de que seria um processo mais complexo – por ter supostamente que acordar MH múltiplas vezes no meio da madrugada, o que desperta seu nada bom humor ao ser despertada! – e por entender que mais acidentes e mais transtonos por acidente aconteceriam (molhar cama, trocar lençóis…), eu poderia adiar por muito tempo! Neste meio tempo, houve apenas um período de regressão, nas férias de dezembro, quando estávamos no Rio. Não sei se por sair do ambiente dela, pela mudança de rotina ou por ambos, foram vários vazamentos seguidos (sempre em casa), mesmo levando em conta que ela já estava desfraldada por mais de um semestre. Mas passado esse período, tudo entrou nos eixos novamente.

6) Respeite eventuais desandadas no processo, tenha paciência e volte a estaca zero, comemorando os acertos.

Com tanto tempo separando o desfralde diurno do noturno, eu já comecei a perceber que ela pedia para não colocar mais fralda na hora de dormir. Em janeiro ou fevereiro, conversei com ela e expliquei que, para que ela dormisse de calcinha (como pedia), a fralda deveria começar a acordar sequinha. E que, para isso, teríamos que ir ao banheiro no meio da madrugada se necessário. A vontade dela era tamanha que eu conto nos dedos de uma mão as vezes em que a levei para fazer xixi de madrugada (em raras vezes ela pediu). Com uma ou outra exceção, a fralda passou a acordar 100% seca com cada vez mais frequência. Esse período deve ter levado pouco mais de um mês e eu me preparava para dar o próximo passo. Pretendia antes comprar este produto que ajuda no período de desfralde, indicado por uma amiga com filha da mesma idade, pois como MH vem para minha cama antes de amanhecer, eu temia ter dois colchões “batizados” por noite!

7) Para decidir a hora da mudança, acredite no seu sexto sentido feminino!

Numa bela noite em março, na hora de colocá-la pra dormir, sei lá por que decidi que ela não colocaria fralda. Eu ainda não tinha comprado o tal produto-salvação de acidentes e fui com tudo num impulso quase irracional, furando a fila do meu próprio planejamento inicial. Confiei na sorte, nas fraldas que acordavam quase sempre secas, mas, principalmente, no meu sexto-sentido – porque MH dificilmente aceita sair da cama no meio da madrugada e são quase doze horas entre o horário que eu a coloco pra dormir e o despertar. Surpresa! Ela acordou na manhã seguinte não apenas sequinha, mas também feliz da vida comemorando o fato de que “agora não uso mais fralda, não sou mais bebê!”.

8) Às vezes é válido deixar o excesso de planejamento e controle dar lugar à mudança propriamente dita! O cérebro humano é fantástico e se adapta aos novos hábitos.

9) Deixar um tempo razoável entre os desfraldes diurno e noturno pode ajudar a deixar a criança mais preparada – e até mais na expectativa positiva – para esta etapa final. Além de garantir que ela estará mais apta para controlar a vontade de ir ao banheiro.

Cada caso é um caso e não é porque alguns desfraldes – diurnos ou noturnos – precisam de mais tempo para adaptação que eles deixam de acontecer no ritmo exato daquela criança. Mas eu sinto que, no meu caso, sofri por antecipação achando que seria muito mais complicado e o simples fato de esperar pelas horas certas foi suficiente. Já estamos há pouco mais de um mês sem fraldas por aqui e nunca houve acidente na parte da noite. Ela vai ao banheiro antes de ir para a cama, eventualmente solicita para ir novamente depois do leite e já acorda pedindo para fazer xixi. Mais uma etapa concluída por aqui; minha bebê é uma mocinha…!

10) Uma criança deixa de ser um bebê muito rápido! E nada sinaliza mais essa transição do que desmontar o trocador! 😮 

MH quase três anos
mocinha, prestes a completar três anos, com o desfralde completo concluído em 2016!

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To Grávida

Uma carta para minha amiga que será mãe de primeira viagem

23 de março de 2016

Sempre dizem que tem passagens sobre a maternidade que ninguém conta. Um suposto lado B que seria deixado de lado nos relatos, públicos ou entre amigas. Não é verdade! A questão é que tem coisas que a gente só enxerga quando vive pessoalmente. Que só fazem sentido quando a gente passa. Só a partir disso a gente entende, registra, absorve. E passa então a compartilhar com outras futuras mães, que não vão levar para seus HDs até que elas próprias vivenciem na prática. Tenho algumas amigas super próximas, daquelas que fazem parte do grupo das melhores entre as melhores, à espera de seus primeiros bebês. E vejo TANTO de mim nelas… É a primeira vez que tenho pessoas bem íntimas grávidas depois que me tornei mãe. No meio de seus questionamentos e preocupações enxergo muito do que vivi entre 2012 e 2013, quando esperei e recebi MH. Por elas e para elas, veio a ideia deste post. Ele talvez só venha a fazer 100% de sentido para estas amigas daqui uns dois anos, mas vale a intenção mesmo assim!

MAIS: Minha Mensagem Para a Alessandra que Acabou de Ser Mãe

Ultra

Viva sua gravidez com leveza e tranquilidade. Longe de tantas perguntas, de tantos medos, de qualquer Google! Somos mães e não estudantes de medicina, por isso basta saber que está tudo indo bem, sem ter que descobrir todas as estatísticas e todas as explicações para cada número de cada exame. Confie nos médicos que te acompanham e fique com os assuntos menos profundos, como a escolha do carrinho ou a arrumação das gavetas de bodies!

Controle a tendência de querer planejar tudo. O dia do nascimento, o signo, a personalidade, a necessidade de babá-enfermeira-ajuda-noturna, a gente só sabe certas coisas depois que elas acontecem. Não se preocupe com isso também, deixe que um dia aconteça por vez.

MAIS: Doze Coisas que Aprendi em Doze Meses de Maternidade

MH bebê

Não acredite que terá dificuldades para cuidar de seu bebê ou para manter sua sanidade no furacão que é (sim, é!) ter um recém-nascido em casa. Existe uma coisa chamada instinto e ela se manifesta em todos os momentos em que precisa se manifestar. A gente se dá conta de que sabe fazer aquilo que jamais imaginou e descobre no fundo do nosso HD capacidades até então impensadas. Mas, se possível, se informe e se prepare com quem entende sobre amamentação. Só uma ideia…!

Saiba que vai morder a língua, todas nós mordemos em algum momento, mas está tudo certo em relação a isso. Não se cobre em relação a padrões amplificados, cada um tem seu tempo para cada despertar de cada sentimento – e todos estão absolutamente dentro da normalidade. Leia materiais com os quais se identifica, mas não leia tudo que existe nem absorva tudo que escuta, porque isso pode enlouquecer um ser humano. Tenha a certeza que você vai construir a sua própria maneira de levar a maternidade e ela é única, pessoal e intransferível. O amor arrebatador incondicional que tudo explica chega quando tem que chegar, na gravidez para umas, no parto para outras e mais um pouco à frente para algumas. E ele é o único sentido de toda essa experiência.

MAIS: Minha Vida de Mãe | Seis Lições Aprendidas Nos Primeiros Dois Anos

meu look com MH
imagem: #MeuLookComMH no instagram @alegarattoni

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To Grávida

A (im)paciência das mães (im)perfeitas

1 de março de 2016

Dias atrás compartilhei na minha página do Facebook (estou quase sempre por lá!) esse texto lindo e tocante que eu legendei apenas como: “Sobre maternidade, sororidade, humanidade….”. Porque, triste de dizer, mas ele é um sopro de esperança num mundo de tantos julgamentos como o da maternidade – por parte das não-mães, o que é até mais compreensível, mas também das próprias mães que esquecem de praticar a empatia e se lembrar de que nem todos os dias são fáceis e que seria muito mais bacana se a gente se apoiasse mais.

frase Aurea Gil

Uma amiga escreveu algumas vezes que sentia, sim, falta da pessoa que ela era antes da maternidade e, em pleno início de vida de mãe, temia jamais ter essa parte de si de volta. Porque é verdade que, antes de ter filhos, a gente se acostuma a definir nossos horários, nossas prioridades, nossos momentos de introspecção. Mas se há uma parte da maternidade que não podemos negar é a de que tudo, tudo fica imprevisível. Dá pra ter muita coisa de volta, sim. Mas não dá pra saber se o bebê vai dormir bem ou chorar de cólica madrugada adentro. Não dá pra saber se a criança vai se comportar direitinho ou dar um ataque de birra – um daqueles que quando a gente não é mãe revira os olhos ao ver e apenas pensa “filho meu jamais faria isso”. E não dá pra saber se você vai conseguir se dedicar àquele projeto com data apertada de trabalho ou se vai ter que dar um pouco mais de atenção à cria, mesmo que não seja sua maior vontade naquela hora. Nem se vai conseguir ter a inteligência emocional que esse duelo exige. E é aí, nesses momentos de privação de sono, de expectativa ou de auto-poder de priorizar e decidir por si, que a terrível falta de paciência te dá um nocaute.

Foi por isso que este texto do Facebook me levou às lágrimas. Foi por isso que tantas mães saíram abraçando seus filhos depois de ler. Foi por isso que a empatia desta desconhecida com uma mãe cansada e impaciente surpreendeu num terreno no qual o que costuma vencer é o julgamento, o olho virado, a reprovação. Eu, desde que coloquei MH no mundo, não consigo julgar mães. Simplesmente não consigo. Tenho minhas opiniões que servem da porta da minha casa pra dentro, tenho meus pontos de vista, tenho meus limites e minha forma de encarar a maternidade. Mas falho todos os dias. E me questiono em muitos deles. Não sou mais 100% dona de mim e isso me apavora. Como não se apavorar?

Ale e MH

Como saber o que é egoísmo e o que é uma necessidade (off-maternidade) quase física de uma mãe? Como diferenciar o que é “fazer pouco” do que o que é “fazer tudo o que está a seu alcance”? Como definir impaciência e auto-limite? E como ser super-mãe quando se tem tantas outras preocupações sérias – que também envolvem diretamente os seus pequenos –, como responsabilidades financeiras, saúde psicológica (respirar é preciso! para todos! mesmo para as mães!), falta de ter com quem desabafar sem ser julgada?

O mundo da maternidade é lindo, é mágico, é cor de rosa. Mas é claro que não é só isso. É claro que, ainda que viremos supermulheres com superpoderes (porque viramos!), temos nossas falhas, nossos momentos, nossas necessidades só nossas. Temos dias e dias, temos eventuais implicâncias com a Peppa, temos preguiça de montar Lego – nem só preguiça, às vezes é falta de tempo/vontade/jeito. E a grande verdade é que o mundo não está preparado para falar ou conviver com esse lado rosa-turvo que por vezes aparece.

Se perdoe. Seja carinhosa com você. Impeça de te fazerem sentir menos que a melhor mãe do mundo. Blinde-se contra os inevitáveis julgamentos. Se permita. Não se esqueça que você também está em outras batalhas {às vezes esse lance de maternidade é tão intenso que a gente até esquece que está em pleno turbilhão em outras áreas da vida}. Algumas batalhas só suas. E que elas também exigem seu combustível. Por fim, saiba que vale a música do Lulu Santos que diz “mas o seu amor me cura de uma loucura qualquer”. Porque passada a birra, a noite em claro ou a fase difícil, vem um abraço e um olhar que derretem qualquer coração!

Com carinho para todas as mães impacientes e perfeitas que me leem! E um beijo especial para minha amiga Cece que me abraça quando preciso! <3

MH

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