ALE GARATTONI

Mãe da Maria Helena, profissional de branding e apaixonada por moda e beleza! Meu blog é o espaço "hora do recreio" no qual divido dicas, inspirações, apostas no universo das it girls e minha vida primeira pessoa na maternidade.

Meus Trabalhos

Não, não se deslumbre! Mas também jamais perca o encantamento…

18 de março de 2014

Vira e mexe, em minhas insônias criativas, lembranças e ideias cismam em vir à minha mente – não, esse fenômeno dificilmente acontece às nove da manhã, sabe-se lá por quê… E a recordação desta madrugada me jogou direto para 2007. Eu era a segunda pessoa na hierarquia de um veículo de jornalismo prestigiado em seu segmento. Fazia parte de uma redação com mais umas quinze pessoas. E tinha uma chefe direta muito especial, que muito me ensinou.

Havia um evento a ser coberto. Uma das pessoas da equipe deveria ir até uma faculdade ouvir a palestra de uma importante figura internacional da moda. Como geralmente acontecia quando surgiam eventos de última hora depois de um cansativo dia de trabalho, foi um “foge daqui, foge de lá” imediato entre todos. Inclusive eu. Minha chefe então me designou – leia-se sutilmente me ordenou! – a tarefa. Eu, naquela imaturidade mimada da geração Y, amarrei a maior tromba do mundo. Me fiz de injustiçada (por que eu?!), me senti desprestigiada (por que não o fulano, que nunca vai em nada?!), fiquei mal-humorada e fui. Fui porque, justiça seja feita, apesar dos pesares, meu profissionalismo e comprometimento com o trabalho sempre foram maiores que qualquer tipo de descontentamento.

Cheguei no lugar e, graças ao prestígio do veículo que eu representava, fui praticamente carregada no colo por uma assessora do evento até um lugar privilegiado. Ainda estava internamente contrariada quando a palestra começou e eu me vi fazendo anotações, de modo a poder escrever a matéria encomendada pela chefe. E foi então que me deu o estalo: meu Deus, em que momento eu perdi o encantamento com as coisas bacanas que minha profissão me oferece. Me dei conta que a mesma Ale, uns poucos anos antes, pagaria o que fosse para estar em uma oportunidade daquelas, ouvindo aquele cara falar aquelas palavras. Me dei conta que aquele era um dos meus muitos sonhos (escrever sobre eventos de moda como este). Me dei conta que tinha ido do “uau, que emprego maravilhoso que me dá essas oportunidades maravilhosas” ao “que saco, por que tenho que fazer isso?” quase que sem escalas nos “nossa, bacana”, “tudo bem, eu posso ir”. E morri de vergonha do papelão que eu tinha feito.

Aproveitei ao máximo a palestra, fiz meu trabalho com louvor especial, voltei pra casa com uma sensação boa de tarefa cumprida que há muito não sentia e, assim que cheguei, mandei um email para minha chefe me desculpando sinceramente pela minha postura e narrando como tinha me dado conta de que eu amava fazer aquilo que, sei lá por que, acabei tratando como fardo. Ela, a elegância em pessoa, me respondeu com uma mensagem que foi, ao mesmo tempo, um elogio e um soco extra no estômago: “Não fiquei brava, fiquei triste. Aquela não era a mesma Ale que quase dois anos atrás eu trouxe pra trabalhar comigo por ter me conquistado com sua vontade extra de realizar. Você não é um deles (no caso, citando alguns colegas que jamais tiveram mesmo tal comprometimento).”.

Muitas vezes, por conta de um descontentamento x ou y, por uma acomodação ou até por uma banalização do que outrora fora um luxo, acabamos caindo nessa armadilha: tratar como dever de casa chato o que sempre foi um prêmio. E isso, perder o brilho nos olhos, é tão (ou mais!) letal do que se tornar um deslumbrado, na mais pejorativa das definições. Tão grave como me achar a maioral por estar ali naquele evento de uma forma privilegiada era me achar a coitadinha por ser escalada para o trabalho com o qual eu sempre sonhara. Foi um auto-banho de água fria perceber que, em algum momento, eu havia deixado pra trás o mesmo encantamento que me serviu de vantagem competitiva para entrar no mercado. O mesmo brilho nos olhos que me garantiu boas chances de crescimento em tempo curto. A mesma gana de realização que me rendeu um bom espaço. E, a partir deste dia, eu nunca mais esqueci de me policiar contra esta armadilha do cotidiano.

Eu sempre digo que não há nada mais feio do que se deslumbrar com situações, momentos ou cargos – tudo isso é e pode ser tão passageiro, além de tudo. Mas acho que eu estava enganada. Há sim algo mais feio: a perda do encantamento que nos move pra frente!

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  1. Juliana Blanc Em 18/03/2014

    Olá Ale, obrigada pelo post! Eu precisava ler isso agora! Estou no momento das minhas provas, quase me formando, falta pouco, mas o desanimo tomou conta de mim, e esse post me fez lembrar porque eu escolhi Relações Públicas e que preciso me dedicar! Não são todas as pessoas que tem a chance de escolher a profissão que ama, a vida dá a chance e temos que aproveitar! Acompanho você desde o it girls e tenho o livro! Desejo muitas coisas boas pra você! Beijo




  2. Claudia Yamauti Em 18/03/2014

    Oi Ale, não te conheço pessoalmente e tô aqui, lendo seu post gigante! hahaha
    Adoro essas reflexões da madrugada, é quando somos mais livres…
    Entendo perfeitamente o que você sentiu e esse estalo, aconteceu comigo!
    Não sou uma profissional de sucesso como você, não tenho um emprego glamouroso no mundo da moda (que acho tudo!).
    Sou uma housewife, mãe de três filhos, que sempre sonhou em ser housewife e mãe, mas que há um tempo atrás andava meio esquecida disso…reclamando da rotina, que não podemos negar é torturante, às vezes.
    Fazer o que gosta, melhor ainda: fazer o que AMA é uma recompensa que vai além de remuneração, benefícios, posição.
    Fico muito feliz que você tenha tido esse estalo, ele revigora!
    Você vai sentir uma enorme diferença daqui pra frente, estarei aguardando os próximos capítulos…Beijo!




  3. Tatiane Lima Em 18/03/2014

    Bom dia Ale…
    Compartilho de seu problema, onde as idéias me acordam no meio da noite… e esta noite não foi diferente…
    O que foi interessante é que acordei e pensei em entrar no face, onde vi este seu post. Confesso que quando vc falou que era grande pensei em não ler, mas não era tão grande assim..
    E agradeço por ter escrito, pois me ajudou de alguma forma ter mais vontade de seguir meu caminho, com muito mais ânimo.
    Não costumo escrever comentários pela correria do dia a dia, mas fiz questão de reservar um tempo para escrever para você para lhe dar os parabéns e lhe mostrar que por mais que você não saiba você inspira muitas pessoas… continue assim!
    Obrigada e uma ótima semana!
    Beijo
    Tati




  4. Viviane Costa Em 18/03/2014

    Gosto tanto de posts em primeira pessoa! Eles nos deixam próximas, nos deixam humanas. Nos fazem sentir, quase sempre, que não estamos sós. Bjs!




  5. Isa Nascimento Em 18/03/2014

    Oi Ale! Adorei a história! È muito fácil desanimar quanto a gente se depara com a rotina e/ou dificuldades. Há sete meses decidi mudar o ruma da minha vida profissional. Deixei de lado a profissão de advogada, depois de 3 anos e meio de formada e resolvi me aventurar na área de negócios de moda. Nossa, como foi difícil tomar essa decisão, que medo de estar trocando o certo pelo duvidoso! Mas eu fui.. e não tá fácil recomeçar. Tem dia que bate um desanimo enoooorme, mas aí eu paro e penso, quantas pessoas tem a chance de recomeçar, de escolher trabalhar com o que gosta? Não posso ser mal agradecida com a chance que tive de reescrever minha vida profissional, né? É preciso manter o encantamento, o foco e seguir batalhando. É sempre bom vir aqui e se sentir inspirada e motivada! Beijos!!




  6. Daniela Brisola Em 18/03/2014

    Coisa linda de texto. Aliás, é difícil eu não me encantar e me identificar com os seus textos. Parabéns pelo ótimo trabalho! Beijos




  7. Silvia Em 18/03/2014

    Nossaaaa…tô aqui no auge dos meus 53 anos e me dei conta de que o seu texto mexeu muito comigo! Tô quase me aposentando e ao mesmo tempo vou começar de novo, pois fiz administração de empresas e pretendo fazer comunicação (meu grande sonho) e começar a me realizar. Eu nunca perdi o encantamento pois nunca me encantei com essa profissão, mas agora sim vou começar a me encantar! Bjs!




  8. Graziela Lima Em 18/03/2014

    Oi Alê, acho que esse post fez cada um que leu lembrar um pouquinho da própria vida, eu lembro como se fosse ontem quando eu vi que tinha sido aprovada no vestibular pra engenharia, fiquei tão feliz por ter conseguido essa oportunidade na minha vida, e até falei pra uma amiga: “Poxa vão ser 5 anos difíceis mas eu vou conseguir”, e eu perdi esse entusiasmo, já pensei em desistir, já reprovei várias cadeiras, depois de muita psicoterapia consegui enxergar esse tipo de pensamento que você fala no texto, coisas simples mas que deveriam estar escritas nas nossas paredes! rs Beijo.




  9. Luciana Campos Sampaio Em 18/03/2014

    Oi, Ale. Eu me reconheci nesse post. E me pergunto se essa perda do encantamento acontece so com jornalistas ou se ha em todas as áreas. Trabalhei numa grande redação por 12 anos, comecei estagiaria e cheguei a vice diretora. Mas no 12 ano, eu ja havia perdido por completo o encantamento com aquilo que, ha pouco, era a minha vida. E eh triste isso, sabe? Ver que o que ja te fez tao feliz nao te faz mais. No meu caso, eu optei por nao me transformar em mais uma pessoa a reclamar da vida e fui trilhar outros caminhos. Pq eu tb abominava a idéia de continuar num lugar onde eu ja nao me sentia feliz. O fim do encantamento eh o primeiro sinal de que a morte esta próxima. Cabe a gente deixar ou nao morrer.

    Oi Luciana!
    Achei bacana aproveitar a carona do seu comentário para pontuar uma coisa: mudar de prioridades, passar a não gostar mais de algo que gostava e trocar de carreira (de emprego, de empresa…) é perfeitamente normal – e eu já perdi as contas das vezes em que tomei essa decisão! O que chamo atenção no meu post é para o encantamento com o que a gente AINDA gosta, mas que, por ter auto-banalizado (por parecer mt próximo, comum ou óbvio), não permite mais que os olhos brilhem!
    Curiosamente – ou não! – eu acabei pedindo demissão deste emprego pouco tempo depois e acho que a tal crise de encantamento se deu em parte por eu já ter cumprido minha etapa ali. Mas assistir a uma pessoa brilhante palestrando é algo que sempre, sempre vai ser muito bacana pra mim! É mais esse o ponto da coisa!
    bjo grande




  10. Monica Em 18/03/2014

    Ale, parabéns pelo seu excelente texto! Não poderia ser mais providencial neste meu atual momento… Vivo uma fase de tamanho descontamento com o rumo que minha carreira tomou que me questiono diariamente como posso estar tão desanimada com algo que foi meu sonho de infância – e que realizei! Talvez, como sugere seu texto, esteja faltando dar uma parada para respirar e olhar à volta…




  11. Silvana Em 18/03/2014

    É impressão minha ou essa loja copiou o logo do seu livro?

    hahahah Affff, super plágio!! Tirei o link porque já basta usarem minha capa indevidamente, não vou ajudar a dar pageviews!! Obrigada por alertar, mas faz parte!
    bjobjo




  12. Ludmila Em 18/03/2014

    Muito bacana o texto! Mesmo estando felizes e satisfeitos com o nosso trabalho, esse encantamento vai se perdendo no meio dos problemas e correria do dia a dia. É uma grande desafio conseguir reverter a situação e se encantar diante daquilo que adorávamos no início de um trabalho e hoje não é mais novidade.




  13. Natalia Arend Em 18/03/2014

    Ale, me reconheci total no teu post. Por muito, muito tempo quis um trabalho em redação, me preparei, criei estratégias e cá estou. Mas passado a felicidade inicial, eu comecei a me chatear por não falar só dos meus assuntos preferidos, a cuidar de coisas que no mundo perfeito eu não cuidaria, e achar o meu sonho realizado muito sem graça. Até ler isso. Obrigada!




  14. Suelen Teixeira Em 18/03/2014

    Ale acompanho seu trabalho a cerca de 2 anos e você é uma inspiração para mim (de verdade). Esse post é super pertinente pois isso infelizmente acaba acontecendo com a maioria das pessoas. O que era sonho, de repente vira rotina e obrigação. E tem coisa mais chata que rotina e obrigação?
    A 5 meses consegui um estágio numa empresa que eu queria muito, batalhei bastante no processo seletivo e depois de 6 meses entre testes, dinâmicas e entrevistas eu consegui minha vaga. Lembro como que se fosse hoje, o meu sorriso ao chegar em frente ao prédio da empresa no primeiro dia de trabalho, e nesse mesmo dia eu pensei “quero dar esse sorriso todos os dias ao chegar aqui, afinal, isso é o meu sonho!”

    Beijos, gostaria muito de tomar um café e conversar com você pessoalmente. (Olha a intimidade rsrsrsrs)




  15. Lilian Em 18/03/2014

    Amei o texto, me vejo assim hoje em dia. Há 9 anos atrás quando ainda fazia faculdade de turismo, eu precisava de estágio que fosse na Secretaria de Turismo e queria organizar os eventos da cidade, mas não consegui, tive que fazer em outra cidade. Porém 5 anos depois prestei concurso para outro setor que pertence a secretaria, só que fiquei pouco tempo por lá, logo me transferiram para a secretaria de Turismo por falta de funcionário, ou seja consegui entrar lá e trabalhar com a mesma pessoa que me negou o estágio anos atrás. Ano passado com gestão nova, foi que consegui mesmo ajudar a organizar os eventos e administrar toda a secretaria que não era só de turismo, tinha esporte, cultura e lazer também, pois meus chefes não sabiam ainda como funcionava todo o esquema. Me senti aborrecida por estar carregando tudo nas costas sozinha e não receber nada a mais por isso, a não ser quando fazia hora extra. Reclamei tanto pra minha mãe, e ela é quem foi essa voz da minha consciência, me falando que eu aprendi muito, posso não ter ganho dinheiro a mais, mas já sei como administrar 4 secretarias, sei organizar eventos, fazer as prestações de contas etc, além de eu ter tido a oportunidade de conhecer artistas nacionais que vieram fazer shows por aqui. Mas mesmo assim esse ano estou desanimada e me afastei um pouco das coisas, já que meus chefes já aprenderam como se faz.

    Moral da história, não estou conseguindo mais achar esse brilho nos olhos que eu tinha, conseguiram apagar, me deixei apagar. Sei lá, acho que quero ir embora da cidade mesmo, procurar novos horizontes.




  16. Thais Em 19/03/2014

    Nunca escrevi aqui, apesar de acompanhar e admirar seu trabalho desde a 1a fase do it. Eu trabalho no mercado financeiro, sou super realizada, mas realmente tem dias que temos que tomar cuidado para nao banalizar ou esnobar trabalhos que tanto almejamos.
    Vc escreve tao bem, que mesmo eu que trabalho em uma area tao diferente consigo aplicar e me identificar com seus textos no meu dia a dia.
    Parabens, suas palavras inspiram!




  17. Paola Scott Em 20/03/2014

    adorei, Ale!!!




  18. Janaína Em 20/03/2014

    Texto perfeito. Parabéns pela lucidez e brilhantismo nas colocações, fui impactada positivamente.
    Obrigada




  19. Simone Em 23/03/2014

    Me emocionou de um jeito!
    Obrigada!




  20. Priscila Simões Em 09/05/2014

    Oi Ale, quase sempre que leio seus posts me dá um sentimento de “cadê aquela menina animada do it girl?”, mesmo você tendo explicado tantas vezes que mudou e amadureceu, acabava pensando que de alguma maneira você parecia meio dura (exceto nos posts sobre sua filha). Lendo esse post percebi porquê nunca parei de te ler, porque me identifico muito com o que você escreve, reflito e penso na minha vida. Acabei percebendo que na verdade a pessoa dura sou eu e que estou com muita dificuldade de seguir em frente no meu processo de amadurecimento. Me formei, fiz aniversário, me senti velha e perdida,uma parte minha quer voltar a ser aquela menina animada por tudo e outra se sente cansada nem sei bem de quê.
    Bom, sei que esse comentário não faz muito sentido, mas só gostaria de te agradecer pelos seus textos, por você não ter medo de mudar e por me ajudar a ver de forma clara o que muitas vezes eu me recuso a enxergar.
    Ás vezes a gente esquece de ser grato pelas conquistas ocupando a nossa mente com aquilo que ainda não conseguimos.
    Obrigada, Ale.




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