Blog 'Emprego dos Sonhos'



O branding está na moda: por que um item de luxo faz sucesso

por Alessandra Garattoni em 3 de julho de 2014
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Quanto mais estudo e quanto mais escrevo sobre branding, mais difícil parece ser definir essa palavra de maneira didática, de uma forma que não provoque mal-entendidos, de um jeito que seja simples até para 100% leigos. Muita gente a confunde com a questão específica do design, outros tantos acabam misturando com o conceito de marketing em geral. Mas resolvi trazer um exemplo da moda de marcas de luxo para exemplificar….

Olhe a bolsa abaixo. Se você é uma apaixonada por bolsas de luxo certamente já reconheceu a marca – e se é também uma conhecedora deste mercado é provável que conseguisse identificá-la antes mesmo dela criar fama, antes mesmo de ler o micro-logo. Trata-se de uma Céline, marca francesa cujos acessórios costumam investir em linhas simples. Preço da peça? U$ 2.100 nos Estados Unidos. Tem distribuição limitadíssima a lojas próprias da marca e algumas poucas, selecionadas e exclusivas multimarcas e lojas de departamento de luxo mundo afora. Não é vendida online (nem mesmo nos sites destes pontos de venda exclusivíssimos e selecionados).

Céline Phantom Cabas

Agora vem uma pergunta? O que leva uma fã de bolsas com dispo$ição para investir a comprar por U$ 2.100 uma peça que, de tão simples no design, pode ter versões genéricas (de qualidade!) por um décimo do preço (não falo de réplicas, apenas de peças que sigam estas mesmas linhas básicas de design)? Note que elegi um exemplo livre de logos e de outros símbolos facilmente identificáveis, exatamente para evitar respostas como “ela quer mostrar pra todo mundo que usa uma bolsa xyz”. A Phantom Cabas, modelo escolhido, poderia até entrar no rol das bolsas menos óbvias, afinal. Não grita marca, não grita dinheiro, não grita status. Mas sussurra qualidade, bom gosto, exclusividade. E, por isso, atrai tanta gente, mesmo com um design nada inovador ou exclusivo.

Diga-se de passagem que o motivo que faz com que as marcas mais copiadas sigam vendendo mais e mais tem seu embasamento no branding (a Chanel, vítima-mor do mercado de pirataria de acessórios de luxo, chega a reajustar preços duas vezes por ano, a fim de reequilbrar sua crescente demanda – e Coco Chanel já falava sobre como as imitações impulsionavam seus negócios no século passado). No que a marca comunica sem palavras, apenas com ações.

Quando a Céline limita pontos de venda – inclusive se privando dos ótimos resultados do meio online –, ela comunica exclusividade. Quando ela sinaliza com um design limpo e (quase) livre de logo aparente, ela comunica discrição. Quando ela usa matéria-prima e acabamentos de qualidade (demonstrados também com o preço alto), ela comunica durabilidade. Quando ela aposta em linhas simples e atemporais que estão acima apenas da moda da vez, ela comunica eternidade (a herança das suas netas, saca?!). Isso apenas para citar as questões mais óbvias e mais diretas da bolsa em si, sem entrar no mérito da organização das lojas, da escolha das vendedoras e do atendimento, por exemplo. Um único item, sem precisar de uma linha de texto, consegue comunicar que é sob medida para mulheres discretas e clássicas (e/ou para as que querem comunicar essa mensagem sobre si!). E não apenas o faz como também atrai, como consequência, o desejo dessa clientela-alvo. E faz com que ela, a cliente, explique seu desejo irracional como fruto de sua paixão por exclusividade e durabilidade.

Céline Classic Box

O branding é exatamente isso. É fazer o cliente colocar as palavras que a marca quer. Sem textos, sem ações de marketing, sem estratégias de relações públicas ou publicidade. Sem recitar conceitos – até porque nenhum cliente quer ler aqueles lances chatíssimos de “qual a missão e o objetivo da marca”, lero-lero que só interessa para o dono da marca ou para autores de livros teóricos de marketing! É o cliente que vai deduzir quais os adjetivos da marca. Apenas porque ações inteligentes o levaram, subliminarmente, para isso!

{IMPORTANTE: o exemplo obviamente não representará a realidade de todos que leem. Uma bolsa de quatro dígitos de dólares não diz nada para muita gente. Cada pessoa tem suas prioridades, cada pessoa tem seu ponto fraco de consumo, cada pessoa tem seus limites de orçamento. A ideia aqui é, unicamente, mostrar como uma marca se comunica (também) subliminarmente e como isso acaba de fato fazendo toda a diferença em cima do público que é tocado pelo universo em questão. Vale trocar por qualquer outro produto ou mercado, usando como referência um item relevante e bem-sucedido dentro de sua área.}



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Branding no atendimento ao cliente

por Alessandra Garattoni em 2 de julho de 2014
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Quando se pesquisa sobre branding, muito se encontra sobre design branding. A um ponto em que muitas pessoas talvez liguem esta palavrinha apenas a questões estéticas de layout, logo, papelaria etc. Mas é muito, MUITO importante saber que uma estratégia de branding está acima e além disso: toda e qualquer comunicação – oral ou escrita, em imagens ou palavras – atende à necessidade de comunicar o que sua marca é. E se comunicar em tudo que faz é o verdadeiro ponto de partida quando se trata deste tema.

tópicos de branding

O foco do post de hoje é em torno do que um atendimento (bom ou ruim) pode passar de mensagem para o consciente e/ou subconsciente de seu cliente. Sim, é quase subliminar, mas uma demora na resposta, por exemplo, pode transparecer uma ideia de desorganização. Da mesma forma que a transparência máxima (com todas as informações ao alcance de uma pesquisa básica) no pré-venda passa segurança e a mensagem de que a empresa é confiável. Ainda que o cliente não tenha tais impressões em um nível consciente, pode ter certeza que tudo isso influenciará não só a compra, mas também a fidelidade e a recomendação futura para outros possíveis clientes – meta universal, né?!

#lovebranding

COERÊNCIA E CONSISTÊNCIA + FOCO
Sua empresa até pode, sim, vender suco de laranja, lençóis e batons sob uma mesma marca. Embora focar em um nicho específico facilite (e muito!), a diversidade não necessariamente é um problema. Mas tente, na medida do possível, linkar tudo isso de alguma forma, em uma comunicação única. E busque esse “algo em comum” capaz de linkar um lençol a um suco de laranja de modo a fazer dele a sua linha de divulgação, sua especialidade.

SEMPRE A POSTOS
Tem algo pior do que se sentir jogada às traças quando se tenta contato com uma empresa? Qualquer um acaba fugindo de marcas que parecem querer dificultar a venda – “se é assim no pré, imagina na necessidade de um pós” é a mensagem subliminar que se passa.

LIMITE DE EXPOSIÇÃO
Sites, blogs, instagram, Facebook, Pinterest… são infinitas as possibilidades de vitrines atuais (e abrir mão de algumas delas parece um erro gravíssimo à primeira vista). É verdade que uma maior variedade de mídias sociais tende a ajudar. DESDE QUE a empresa consiga atender a todas. Só tem uma coisa mais grave do que deixar de responder um cliente: deixar de responder um cliente em público na internet, sob os olhares de outros tantos clientes em potencial! O limite da sua exposição deve ser aquele que você dá conta de atender de verdade.

O QUE VOCÊ VENDE?
Pode parecer a coisa mais óbvia do mundo, mas nem todas as empresas deixam claro. Disponibilize seu cardápio completo, didático, explicado. Se for um produto ou serviço com preço fixo, mostre-o. Por favor, mostre o que você está vendendo, não faça o cliente ter que bancar o adivinho antes de decidir se tem ou não interesse. Para quem costuma esconder estas informações com medo do concorrente ter livre acesso a elas, uma dica: se um concorrente quiser conhecer seu cardápio, ele dará um jeito de fazê-lo e nada o impedirá!

TEMPO É EXCELÊNCIA
Se por anos e anos o ditado popular resumia que “tempo é dinheiro”, provavelmente nesta realidade 2.0 ele será editado para “tempo é excelência”. Agilidade nas respostas, agilidade nos pedidos, agilidade no objetivo de surpreender o cliente. Nada passa mais confiança e profissionalismo do que uma resposta em tempo real!

{imagens via Pinterest}



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Biblioteca do empreendedor: dois livros e cinco referências

por Alessandra Garattoni em 30 de junho de 2014
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Quem disse que leitura de negócios precisa ser chata, massante, técnica? É bem melhor aprender com exemplos – reais ou fictícios – alheios, de preferência de maneira didática e até divertida, certo? Pois bem, essa é a linha dos dois livros indicados nesse post. Eles são na medida para quem quer criar uma empresa do zero e também atendem pequenos empreendedores que sempre levaram tudo mais no feeling (um pouco de teoria sempre, sempre ajuda). Ainda estou no meio da leitura de ambos, mas, desde já, indico para quem busca esse tipo de referência.

Dicas de Sophia Amoruso

Girl Boss (apenas em inglês) é a história real e inspiradora de Sophia Amoruso, que começou uma despretensiosa lojinha no eBay e, com esforço e dedicação, transformou-a em um e-commerce de moda que vale cem milhões de dólares. Ver como uma menina de vinte e poucos anos, perdida na vida e sem perspectivas profissionais, construiu, por puro mérito, uma das empresas de mais rápido crescimento dos EUA é um sopro de energia! Inclui várias dicas úteis e conselhos super primeira pessoa.
p.s. o quadrinho acima é um pot-pourri de Sophia publicado na Teen Vogue deste mês.

Girl Boss

Best-seller na categoria empreendedorismo, O Segredo de Luisa não vendeu mais de 150 mil exemplares por acaso! A história de ficção da menina mineira que cria uma empresa premiada é narrada de forma quase poética – e recheada de quadros explicando pra lá de didaticamente todos os conceitos envolvidos (plano de negócios e organização financeira, por exemplo). Leve e fofo, mas com muito conteúdo!

O Segredo de Luisa

Comprei ambos em formato e-book (links nos respectivos títulos), mas eles existem também em versão impressa.

Bônus: precisando de nomes para se inspirar? Leia (em livros, biografias ou entrevistas internet adentro) sobre Sam Walton, Michel Klein, Abílio Diniz, Rolim Amaro e Jeff Bezos (acabei de comprar sua biografia, recém-lançada em português, mas ainda não li). Empresários que são fontes infinitas sobre empreendedorismo e varejo.



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