MH em NY: minha experiência de viagem internacional com uma bebê

por Alessandra Garattoni em 19 de setembro de 2014
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Quando coloco algo de verdade na cabeça, é difícil me fazer mudar de ideia ou tirar o foco total do objetivo. Foi assim que decidi que levaria MH para conhecer Nova York depois do meu aniversário, quando ela tivesse passado a marca dos 15 meses de idade. Meu marido não era nem um pouco fã da ideia, tinha certeza que seria um perrengue desnecessário. Minha mãe? Chegou a dizer que “essa viagem é uma maluquice”, usando um termo menos gentil no lugar de maluquice. Claro que todos tinham boas intenções, mas é fato que conseguiram me deixar insegura e até me fazer pensar em desistir algumas vezes ao longo dos três meses que separaram as reservas do embarque desta minha viagem internacional com uma bebê.

Fui alertada – pela minha família (a parte contra!) e por outras mães – que MH poderia ficar doente lá (e, como ela emendou dois meses de gripes e febres logo que entrou na escolinha em maio, essa possibilidade quase me apavorou a ponto de desistir). Que havia chances de não dormir no voo e/ou de chorar por conta de dor de ouvido causada pela pressão. Que os pais não aproveitavam nada. Que a criança não veria graça nem teria lembranças da experiência. Que o voo da ida até era tranquilo, mas o da volta… Juro que a intenção aqui não é praticar maternidade-ostentação, mas tudo correu muito, muito bem. Nenhum dos alertas acima se confirmou. Aproveitamos muito – ela principalmente! Acho que, lá no fundo, eu já sentia que não teria como eu ter colocado no mundo um ser que não amasse viajar e que não se apaixonasse por Nova York.

Meu intuito é compartilhar tudo sobre isso de modo a encorajar mais mães e pais. Dá trabalho? Claro. É diferente de viajar sem criança? Muito. Cada caso é um caso e adversidades podem de fato surgir? Sem dúvida. Mas, ainda que MH jamais tenha lembranças dessa experiência, eu vou guardar pra sempre a emoção que foi rever minha cidade favorita pelos olhinhos curiosos e empolgados da minha pequena. Valeu a pena, ô, se valeu!
{alerta post gigante, sabe-se lá se alguém vai ler até o fim!}

MH park

O AVIÃO
Crianças de menos de dois anos podem viajar no colo, sem pagar passagem (pagam apenas cerca de 10% do bilhete neste caso). A minha opção foi comprar a chamada “econômica confort” da Delta – se não me engano gastei cerca de 500 dólares para esse mini-upgrade ida-volta para duas pessoas. Reservei os assentos da primeira fileira central deixando a cadeira do meio vazia. A probabilidade daquele lugar ser ocupado era mínima, já que dificilmente alguém pagaria extra para sentar numa cadeira do meio, certo? De fato, os meus voos estavam super lotados, mas as cadeiras centrais da confort ficaram vazias. Com isso, tinha um lugar pra MH, mas admito que pouco foi usado pela própria. O espaço na frente da cadeira era excelente (eu, que tenho 1m76, podia esticar 100% minha perna), mas ela não deita como uma executiva e, por ser a primeira fila, não levanta os braços. Com isso, para MH dormir, só mesmo nos nossos colos. Nos revezamos e, embora não seja a coisa mais agradável do mundo, foi bem tranquilo. O mais importante é lembrar que passa rápido e o final compensa qualquer esforço. Ela mamou na hora da decolagem e, antes de atingirmos a altitude final, ela já estava dormindo. Acordou quando acenderam as luzes para o café da manhã. No voo da volta, tinha acabado de pegar no sono pós-mamada quando acenderam as luzes pro jantar e ela despertou – levemente irritada. Bastou apagarem novamente as luzes para que, com a ajuda de mais meia-mamadeira, ela finalmente dormisse tranquila até o Brasil.

NA MALA DE MÃO
Eu sempre gostei de viajar leve e quase nunca levei mala de mão. Mas uma criança pede uma preparação a mais. Levei, como sugerido, trocas de roupa pra mim e pro meu marido e duas trocas de roupa para a própria. Acrescentei uma versão reduzida da mini-farmacinha que estava na mala despachada. Nem toquei em nada! Na minha bolsa, levei mamadeiras com água (líquidos neste caso são liberados em todos os aeroportos), potinhos com pó do leite e a bolsa de trocas dela (lá comprei um trocador portátil que já carrega todo o necessário pra uma troca, maravilhoso!). E o santo iPad para emergências, que foi muito bem-vindo no voo de ida quando ela acordou uma hora antes do pouso.

TRANSPORTE
Sempre fui mega-fã de transporte público em Nova York, sempre usei muito metrô e ônibus por lá e sempre morri de medo dos taxistas locais – usava mais à noite e/ou quando exagerava muito nas sacolas. Com essa combinação, tinha dúvidas, muitas dúvidas de como me locomoveria por lá. No fim das contas, elegi o táxi como meio de transporte número dois – nossos pés e um ótimo carrinho para MH foram o número um! Não sei se houve um re-treinamento com taxistas ou se dei muita sorte, mas 100% dos carros que peguei foram super solícitos, educados, atenciosos e até desciam para colocar-tirar o carrinho na mala. Tentei usar o tal Uber (que tem a opção “family”, com cadeirinha de bebê), mas não tive sucesso. Na primeira vez, chegando no aeroporto, ainda estava sem celular (e só o wifi não é suficiente para chamar o carro pelo aplicativo). Na segunda, não havia carros family disponíveis. Na terceira, a mensagem de texto necessária para a confirmação demorou uma hora pra chegar e eu já estava no destino. Não experimentei transporte público, pois com carrinho e criança fiquei insegura de encarar.

MH transporte

ALIMENTAÇÃO
Nem pretendia abordar esse tópico, pois não é minha especialidade – MH é MUITO ruim para comer, mesmo aqui. Mas atendendo a perguntas, vou explicar resumidamente. Minha filha vive basicamente de fórmula e frutas! O pediatra nos orienta a jamais substituir refeições: não almoçou, vai ter que esperar até o lanche. E, na prática, o que acontece é que, com raras exceções, ela tem se sustentado com as três mamadas diárias. O único alimento que ela aceita com mais frequência é fruta. O que fiz em NY? Tinha sempre frutas frescas (no supermercado Whole Foods há todas cortadinhas em potes práticos pra vender) e biscoitinhos mais saudáveis à mão. Até tentava oferecer comidas – nos próprios restaurantes onde íamos –, mas entendi que aqueles seis dias não eram para dar continuidade à minha tentativa eterna de educação alimentar. Nas férias, tudo bem ela se alimentar com o que gosta. É apenas a MINHA forma de pensar, sem querer levantar bandeiras, ok?! Mas, no geral, acho – apenas acho! – que querer levar a disciplina máxima do dia a dia pras férias é tarefa quase impossível. E que o melhor da rigidez é poder flexibilizar um pouco de vez em quando!

PROGRAMAÇÃO
Sou super planejada em viagem: levo lista de programações, de compras, de lugares, de tudo! Desta vez, já montei um roteiro mais light do que o nosso habitual, com paradas estratégicas para descanso no meio do dia – eu e meu marido não costumávamos parar por um minuto antes de MH. Ainda assim, tive que cortar inúmeros planos. No segundo dia, empolgada com a aceitação da minha pequena ao frenesi novaiorquino, estiquei a corda além do que devia e, quando me dei conta, estava com ela no fim da tarde em plena confusão do Times Square. Foi a única vez que ela reclamou (é minha filha mesmo, não é muito chegada àquela região!) e reclamou bastante! Passado o perrengue de conseguir um táxi às seis da tarde de uma sexta-feira, tudo se ajeitou, mas eu resolvi pegar mais leve. E achei melhor trocar o carrossel do Brooklyn pelo do Central Park e a ida ao SoHo por passei-os mais próximos do hotel. Aproveitei o fato de estar em um hotel bem próximo do parque para fazer deste um passeio quase diário. E não abri mão de ir ao hotel todos os dias no meio da tarde para recarregar a bateria.

MH zoo

ROTINA?!
Mais uma vez digo: flexibilizar a rotina é importante para o sucesso de uma viagem. Assim sendo, tudo bem dormir às 8h30 em vez de às 8h, por exemplo. Claro que, como é super regradinha, ela mesma acabava seguindo seus horários – o cochilo diurno, que é entre meio-dia e duas da tarde por aqui, seguia padrões bem parecidos (e a gente aproveitava para almoçar com calma no restaurante mais próximo daquele momento!). Ter um carrinho bom, que reclina bem e tem uma capota que “fecha” mais a criança, ajudou bastante!

MH carrinho



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Temporada especial de posts NY, NY!

por Alessandra Garattoni em 18 de setembro de 2014
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Mais um hábito do passado que vou retomar: quem me lê desde os tempos do It deve lembrar que, quando eu voltava de uma viagem, aproveitava para preparar uma leva especial de posts com dicas da cidade em questão (parte da edição de Paris 2008 virou até capítulo no livro ItGirls!), comprinhas testadas e aprovadas, sugestões de serviços e lugares relacionados etc. Pois bem, minhas últimas férias foram curtinhas, mas renderam material em dobro – os habituais e os específicos sobre viagem com crianças, já que MH estreou no circuito! Ainda não rascunhei sobre o que escreverei especificamente – dicas são bem-vindas –, mas, aqui, já adianto um pouco do que certamente aparecerá nas próximas semanas…

NY instagram alegarattoni

* Meus eleitos: um hotel, uma companhia aérea e um seguro de saúde na medida para famílias viajantes
* Diário de viagem: nossa programação com MH dia a dia
* Comprinhas indispensáveis para babies em NY
* Dicas úteis para quem embarca com pequenos a tiracolo
* Baratinhos de farmácia nos EUA (#amo!)
* Programações para pequeninhos em NY testadas e aprovadas
* Meus novos eleitos de beauté (depois de dois anos sem viajar, devo dizer que este tema vai ter vários posts!)
* Lojas que têm prioridade máxima na minha programação

Antes destes posts, publicarei um apanhado geral da minha experiência de viajar com uma pequena de um ano e quatro meses – avião, transporte, alimentação e tudo mais em primeira pessoa, provavelmente em um daqueles textos gigantes que só quem se interessa muito pelo assunto e/ou me ama demais consegue ler até o fim. Tava com muita saudade de viajar e mais ainda com saudade de escrever sobre viagem!



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Aviso de férias!

por Alessandra Garattoni em 10 de setembro de 2014
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O post é rapidinho e tem três mensagens curtas:

* Estou {fi-nal-men-te} curtindo merecidas e esperadíssimas férias – as primeiras com direito a uma viagem mais distante para minha pitutu! Por conta disso, posts, respostas de e-mails e outras interações ficam brevemente congeladas ao menos até minha volta, no meio da próxima semana.
* Se quiser acompanhar meus “alôs” {porque nem tento planejar me desconectar por completo, assumo minha veia nerd!}, a mídia mais apropriada será o instagram. Me segue no @alegarattoni, ok?!
* Estou em Nova York, cidade que quem me acompanha há mais tempo sabe que amo e conheço bem. Mas a viagem sem dúvida terá ares de primeira vez, porque vou conhecer todo um até então desconhecido lado “NY com babies“. Dicas, experiências pessoais e uma série especial de posts estão nos planos para a volta – inclusive caprichando na tag MH a Bordo, criada para falar de viagens com bebês e crianças.

Nos encontramos aqui na minha volta!

NY-NY-férias



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